Pedro Silva
A leitura dos portugueses
*Pedro Silva
Ao longo da minha vida aprendi a apreciar
a literatura. Sem sucesso procurei, nos últimos anos, concretizar um
projecto de revista literária e cultural, em formato impresso. Deste
modo, resta-me a interessante alternativa de uma coluna literária.
Assim nasce, portanto, a presente iniciativa que pretendo manter enquanto
a relevância e disponibilidade assim permitirem. Sucinto, fluido e
aberto a todos os que estejam interessados na literatura de qualidade,
este espaço é, portanto, de todos nós.
Quando, em meados dos anos 90, um familiar
me ofereceu um exemplar da obra de John Grisham, “A Firma” nasceu
em mim essa ligação com a grande editora brasileira Rocco. Na altura,
a Internet tal como a conhecemos (largamente difundida) era ainda um
sonho e, portanto, qualquer ponto de contacto cultural e literário
com a grande nação sul-americana era motivo de grande interesse. Portanto,
é com alguma nostalgia, e ainda assim grande alegria, que hoje destaco
três livros da Rocco e que acredito serem textos que merecem uma leitura.
“O Jogo das Sombras” de
Connie Zweig (2000, 390 pp.)
“Andarilho Espiritual”
de Hank Wesselman (2002, 333 pp.)
“A Luz que vem de dentro”
de Victoria Moran (2004, 275 pp.)
O primeiro título aborda as características
mais íntimas de cada um de nós que, por vezes, podem emergir e fazer
com que a pessoa caia em desgraça – principalmente se a mesma pertencer
ao domínio público. A obra de Wesselman é deveras interessante, pois
aborda a evolução interior sentida por um homem da ciência que, a
dada altura, vive uma experiência de transe e a partir de então dedica-se
ao estudo desse fascínio xamânico. Por último, a obra “A luz que
vem de dentro” procura invocar, essencialmente no sexo feminino, aquela
luz interior que, sendo cultivada, pode transformar o quotidiano
da pessoa. Para além disso, aborda temas como a busca incessante do
elixir da juventude, por parte da sociedade ocidental contemporânea,
e ensina técnicas de meditação e respiração para vencer a insónia.
A E.P.U. remonta a sua história ao
ano de 1952, quando se formou uma importadora e distribuidora brasileira
da Editorial Herder (Espanha) e da Verlag Herder (Alemanha). No entanto,
a grande remodelação aconteceu três décadas depois e, posteriormente,
os autores publicados foram quase exclusivamente brasileiros. É uma
grande editora, com um catálogo gigantesco e de grande qualidade. Da
nossa parte, tive acesso a sete títulos e fiquei fascinado com a qualidade,
até porque todos se encontram dentro da área História, temática
que muito gosto.
“Roma e os Romanos”
de Henri Bornecque e Daniel Mornet (2002, 193 pp.) é uma das obras
mais interessantes que tive a oportunidade de conhecer relativamente
ao Império Romano esse período histórico tão fascinante (pelo menos
para mim!).
“História da Filosofia Ocidental”
de Vicent Masip (2001, 463 pp.) onde, para além do conhecimento teórico
relativo à filosofia, somos ainda presenteados com a biografia dos
173 filósofos mais influentes da Humanidade.
“Vá em frente” da Dra.
Irene C. Kassorla (1986, 301 pp.) não sendo uma obra de História,
aborda a perspectiva de auto-ajuda para a conquista do tão ambicionado
sucesso.
“Breve História da Retórica”
com autoria de Armando Plebe (1978, 94 pp.) um título que, apesar de
ter sido redigido há três décadas, permanece profundamente actual
e abordando uma temática fundamental para estudantes, políticos, jornalistas
e todos os profissionais que necessitem da arte da palavra para trabalhar
e fazer passar a sua mensagem.
Ainda dentro da Editora Pedagógica
Universitária, realce-se a obra “A Explicação Sociológica”
(1985, 326 pp.) com autoria conjunta de Cláudio Souto e Solange Souto,
na qual podemos encontrar conceitos, descrições e críticas explicativas
do fenómeno sociológico, uma matéria que, sendo académica, se torna
do quotidiano, pois o ser humano é, por natureza, um ser social.
Do fundo do baú encontrei, então, “A Fé em Crise?”, pergunta
colocado no longínquo ano de 1985 por uma dupla de autores cujos nomes
são Vittorio Messori e, curiosamente, o actual Papa, na altura Cardeal
Joseph Ratzinger. Um livro que urge redescobrir, a todos os interessados
no fenómeno teológico. Por último, e quiçá o nosso destaque maior
deste espaço divulgativo de boa literatura, vai para “A Grécia
Antiga e a Vida Grega” (1977, 259 pp.) redigido por Auguste Jardé,
num trabalho síntese sobre o antigo império grego e todo o fascínio
que por ele sinto.
Há uns anos atrás, não muitos, tive
primeiro contacto com a Imprensa Livre Editora, fundada em 1993
na zona de Porto Alegre (Brasil). Com mais de uma centena de títulos
lançados ao longo destes (escassos) anos, a ILE tem, na verdade, um
catálogo muitíssimo interessante, até porque faz parte da sua filosofia
fundacional a ideia de lançar todas as obras que entendam ser fundamentais,
sem amarras de género algum. Do seu vasto lote de títulos, destacamos
os três seguintes:
“Conformação de chapas metálicas”,
de Lírio Schaeffer (2004, 193 pp.): com um cariz mais
técnico, o Dr. Schaeffer analisa aqui os processos de forjar materiais
metálicos.
“Comédias para ler na privada”,
com autoria de Maiker Rosa (2005, 80 pp.): num registo totalmente diferente
do anterior, esta obra é um livro de contos do quotidiano, para descomprimir
e apreciar uma boa gargalhada.
“A mensagem transmitida pelos
extraterrestres”, de Raël (2003, 161 pp.): para todos os apreciadores
da literatura dita fantástica, esta é uma obra impossível de deixar
de ler pois aborda todos os temas que fascinam aqueles que acreditam
que algures no Universo existem seres vivos.
* Escritor – Tomar
- Portugal
E-mail: ps77@aeiou.pt
- JSO: 05 de junho de
2007