Cláudio Damião
Os jovens e o álcool
*Cláudio Damião Santos
Pereira
Os jovens, hoje em dia, estão consumindo
bebidas alcoólicas em demasia. Não sei exatamente a que atribuir este
fenômeno: se às propagandas de televisão que transformam qualquer
pessoa, jovem ou não - mas os jovens são os alvos preferências -,
em criaturas bem sucedidas, enturmadas, conquistadoras, desinibidas,
etc..., ou se à falta de opções de lazer para este público. O fato
é que, seja qual for a razão que se vá buscar pelos estudiosos do
comportamento humano, os jovens estão consumindo muito álcool. E o
pior é que estão começando cada vez mais cedo, garotos e garotas.
Os points da rapaziada são as portas
de bares, as boates... Basta observar em nossa cidade onde é que uma
boa parte da juventude se encontra nas noites dos finais de semana.
Nada contra os bares, um bom papo,
uma cervejinha, o encontro com amigos, mas a precocidade no consumo
do álcool torna-se um problema, muitas vezes, de conseqüências desastrosas.
O trágico acidente de carro, em que
5 jovens morreram, recentemente, no Rio de Janeiro, levantou o debate
quanto ao tema. Eram jovens de classe média, com idade entre 16 e 22
anos. Tudo indica que haviam feito uso de álcool, somado ao excesso
de velocidade do automóvel que um deles dirigia. Todos mortos de uma
forma brutal na colisão com uma árvore.
Toco neste assunto não por moralismo,
afinal cabe a cada família cuidar da educação e da preparação dos
seus filhos. Mas acho também que quando se trata de responsabilidade
com a vida alheia é preciso mais atenção.
Dirigir depois de ingerir qualquer
quantidade de álcool está provado, não dá certo. Afeta os reflexos
e pode ocasionar acidentes fatais e colocar a vida e a integridade de
várias outras pessoas em risco.
Não é difícil de se ver nos finais
de semana a noite em Nova Friburgo, jovens dirigindo em alta velocidade
pelas ruas da cidade, exibindo sua auto-suficiência e excessiva segurança.
Se estão alcoolizados ou não, não me cabe afirmar. Eu já vi, e fiquei
muito preocupado com o que vi.
É preciso que as famílias fiquem
mais atentas e acompanhem mais de perto os hábitos dos filhos. Não
quer dizer com isso que estaremos livres de acidentes ou de vícios.
Mas sabemos que a imprudência é uma das marcas da juventude. Tudo
parece ser fácil e não haver perigo. Até que um dia vem a tragédia
e todos ficam pensando no que poderiam ter feito para impor alguns limites
aos filhos e não fizeram. Mas aí, já poderá ser tarde demais.
*Presidente do Sindicato
dos Bancários de Nova Friburgo
claudiodamiao@pop.com.br
11 de setembro de 2006