Cláudio Damião
A cultura itinerante
*Cláudio Damião Santos
Pereira
Outro dia encontrei
com o meu amigo Dalmo Latini. Como sempre, estava trabalhando.
Pessoa ligada à cultura
e à educação, Dalmo é um pouco de tudo: professor, ator, palhaço,
malabarista, pai. Um pai cuidadoso e atento, não menos diferente do
que quando está na função de professor ou de palhaço no grupo “Família
Clown”.
Encontrei-o, como dizia,
trabalhando numa tarefa que me pareceu bastante interessante. Trata-se
de um ônibus adaptado, que transporta uma pequena biblioteca e que
percorre as escolas do município. Iniciativa, me contava ele com entusiasmo,
da Secretária de Educação, Beatriz Abicalil.
- “Aqui as crianças
passam algumas horas entre os livros, familiarizando-se com a leitura”,
dizia-me ele. Nem sempre incentivada pelos pais e nem sempre possível
de ser ofertada pelas nossas pobres escolas, aduzi.
O ônibus possui uma
estrutura bastante interessante: ar-condicionado, TV, DVD, computador
ligado à internet e um palco que pode ser montado para as apresentações
teatrais. O palco fica acoplado ao ônibus e é montado com facilidade.
Muito legal!
Segundo o Dalmo, não
é uma simples visita de um ônibus biblioteca volante, que chega a
escola e que chama a atenção das crianças, mas um conjunto de atividades
que mobiliza os jovens enquanto o ônibus está sendo visitado. Dentre
as atividades, ele me falava que as crianças aprendiam, por exemplo,
algumas noções de malabarismo, além de outras oficinas que são organizadas.
O ônibus possui um
acervo de livros ainda pequeno, que merece ser ampliado. Mas a idéia
é boa. Gostaria de sugerir que, além das escolas, percorra os bairros
e comunidades mais carentes, inclusive durante as férias escolares.
Vi muito entusiasmo
nos olhos do meu amigo Dalmo com o projeto, que como professor e pai,
conhece bem a realidade das crianças, que muitas vezes precisam apenas
de um pequeno empurrão para se integrarem a atividades de educação
e cultura.
Que os professores
e diretores das escolas peçam a visita do ônibus biblioteca, a fim
de oferecer uma diversidade nas atividades curriculares, incentivando
e incutindo nas crianças o gosto pela leitura.
Assim, quem sabe, boa
parte delas deixa de ficar horas coladas à televisão assistindo a
maioria das programações inúteis e inadequadas que são destinadas
a elas.
*Presidente do Sindicato
dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudodamiao@pop.com.br