Nosso pedaço do paraíso
*Cláudio Damião
Santos Pereira
Nestas terras da Fazenda do Morro Queimado, na Freguesia de São João Batista, Vila de Nova Friburgo, a natureza foi generosa e nos brindou com um pedaço do paraíso. Belas montanhas, verde exuberante, fontes, rios, lagos, nascentes, corredeiras, serras, diversidades de flora e fauna, e um clima de fazer inveja.
Já dizia Humberto El-Jaick, no soneto “Lenda de Friburgo”:
“Conta a História que Deus, supremo e inigualável,
Quando o mundo pintou, com divino pincel,
Sentiu necessidade extrema e inadiável
de colocar na Terra um pedaço do Céu (...)”
Outros versos apaixonados também foram dedicados a esta Terra por J.G. de Araújo Jorge, bem como por vários outros poetas que aqui nasceram ou encontraram pousada.
Mas, não basta apenas cantar a beleza do lugar, é preciso contar a história da sua gente, com seus erros e acertos, que também são parte desta história e não podem ser esquecidos ou desconsiderados. Pois de que vale a história se ela não for contada, escrita, interpretada? Se não trouxer à tona as nossas raízes, os nossos valores? E como fazer isso se não houver investimento em educação, se não houver o sonho de educar, de dar as primeiras letras, de ensinar, de lembrar os esforços dos que vieram antes de nós?
Lendo o livro da professora Maria Ignez Breder Barreto, encontrei este desejo de ensinar, de educar, já na formação da nossa “Vila Suiça” (mas também terra de índios, negros e portugueses), com a criação da primeira escola da colônia, com aulas ministradas pelo jovem professor Boaventura Bardy, que não recebia nada para isso.
O livro é resultado de uma pesquisa sobre os “Patronos das nossas escolas estaduais e municipalizadas”, e traça uma pequena biografia de cada um deles.
Nas suas páginas estão, lado a lado, clérigos, destacados políticos, médicos, professores, lavradores e um operário, símbolo da resistência da luta operária e vítima da violência policial: Lícinio Teixeira.
O trabalho da professora Maria Ignez ainda não foi publicado. Para tanto, precisará de apoio.
Que este apoio venha de todos aqueles que acreditam na força da educação, assim como, no passado acreditaram aqueles que foram homenageados como patronos das escolas. Alguns deles, mesmo sendo simples lavradores, no seu tempo, fizeram a sua parte, deixando-nos uma singela lição de sabedoria.
*Presidente do Sindicato
dos Bancários de Nova Friburgo
E-mail: claudiodamiao@pop.com.br
- JSO: 21 de maio de 2008

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