Cidadão do Mundo
(Globalização II)
Muito embora o percalço no qual se
dá a globalização, ela contém um sinal do futuro. A sagacidade na
tecnologia impulsiona a humanidade para um mundo sem fronteiras.
Os problemas enfrentados pelas nações,
das mais ricas às mais pobres, se parecem os mesmos quando observados
por um ângulo mais sutil de referência. Os EUA, por exemplo, não
representam essa prosperidade porquanto permanecem constantes no horror
das guerras. Instabilidade semelhante estão os países envolvidos nesses
conflitos. Temos também as nações da África padecendo dos horrores
da fome, miséria e de guerras. Quanto ao Brasil, a violência, corrupção
e pobreza são o seu horror.
O conjunto humano não está pronto
para esse contexto global. Não há referência sobre um modelo estável
de sociedade, senão tentativas nesse sentido. Mas não dispomos de
um exemplo sensacional para globalizar. Projeta-se então, nesse percalço,
a pobreza na qualidade do que globalizar.
O sinal do futuro entretanto é convincente.
Traz otimismo porque a globalização inevitável provém da dinâmica
da descoberta científica. Novos horizontes são abertos a cada dia
pelo avanço tecnológico. A humanidade está tomada de um novo ânimo
com mais essa possibilidade no engenho das telecomunicações. Ou seja,
há um interesse comum pela novidade tecnológica indo além do conceito
das tradições de suas nacionalidades.
O fascínio pela cibernética transcende
o fascínio pelo tradicional arraigado, diante da extrema curiosidade
despertada pelas telecomunicações em geral. Trata-se de uma renovação
artística notável e neste aspecto o estágio desenvolvido humano é
muito promissor.
A informação global divulga os costumes,
promove as artes, não obstante a manipulação comercial, difunde
e valoriza o conhecimento. Mas nesse consumismo frenético está desencadeada
uma nova maneira de se ver as coisas que nos afasta do antigo. O mundo
de objetos revolucionários passa a constituir a qualidade de vida social.
O interesse pela qualidade de vida
passa a servir de parâmetro para as nações na busca do crescimento
produtivo visando o bem estar social. Todos querem desfrutar desse avanço
tecnológico. Num jogo aritmético, esse conforto, de um mundo de objetos,
a cada dia se torna reversível a um número cada vez maior de pessoas.
Nesse comércio, estamos diante de
um consumismo exasperado, no entanto possível de vir a ser planificado.Por
enquanto o globalizar beneficia de imediato a um menor grupo. A sua
expansão será inevitável pois equivale a atingir a totalidade numérica
desse potencial. Para se ter qualidade de vida é preciso adquiri-la.
A industria por sua vez necessita dessa qualidade de vida para que muitos
mais possam adquirir.
Haverá hoje em dia maior apelo para
se lutar pela qualidade de vida social, prioridade primordial para as
nações, que a luta na guerra fratricida desse antigo orgulho. Caso
o ser humano venha a superar com a globalidade a situação atual
do seu mundo desqualificado pelos horrores sociais e ambientais, poderá
assegurar no futuro uma globalização capaz de dar certo,
considerando assim uma cidadania planetária como essencial, nessa qualidade
de vida cibernética!
* Leniel
Jair – SPS: 24 de junho de
2006