1ª Conferência Internacional de Teatro do Oprimido
* Carol Moryc
A 1ª Conferência Internacional de Teatro do Oprimido acontecerá de 20 a 26 de Julho, no Rio de Janeiro, com patrocínio do SESC Nacional, realização do Centro do Teatro de Oprimido e apoio da Caixa Econômica Federal. O evento é um tributo a Augusto Boal e sua obra, e um marco histórico para a continuidade de seu trabalho e desenvolvimento de seu método. A programação será gratuita e aberta ao grande público, mediante inscrição.
25 países e 16 estados brasileiros participam da Conferência que ocupa três espaços no Centro do Rio. Representantes da Austrália, Israel, Palestina, Nepal, Paquistão, Índia, Suécia, Holanda, Áustria, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal, Senegal, Guiné-Bissau, Sudão, Moçambique, Angola, Canadá, EUA, Porto Rico, Argentina, Uruguai e Brasil participam de discussões sobre o impacto do Teatro do Oprimido em diferentes regiões do mundo e diversas áreas do conhecimento como cultura, política, educação, saúde, direitos humanos e zonas de conflito. Ao final dos trabalhos haverá uma discussão a respeito dos desafios para o desenvolvimento de projetos locais e planejamento de ações de cooperação internacional.
Augusto Boal
Augusto Pinto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 16 de março de 1931. Foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro.
Conclui o curso de química na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, em 1950, e embarca para Nova York, onde estuda teatro na Universidade de Columbia. Cursa direção e dramaturgia, tendo John Gassner como um de seus mestres.
De volta ao Brasil em 1956, aos 25 anos, é contratado para integrar o Teatro de Arena de São Paulo, dividindo as tarefas de direção com José Renato, mentor artístico da companhia. Destaca-se como sua principal liderança nos anos 1960. Torna-se responsável, juntamente com José Renato, pela guinada no direcionamento do grupo. Aposta na formação dramatúrgica, através do Curso Prático de Dramaturgia. Adapta o método de Stanislavski às condições brasileiras e ao formato de teatro de arena, resultando numa interpretação naturalista, até então não vista no Brasil. Seu envolvimento é decisivo no engajamento do grupo na ideologia da esquerda brasileira, rumo uma dramaturgia e interpretação voltadas para as discussões e reivindicações nacionalistas, costumeiras na segunda metade dos anos 1950.
Com o golpe militar, Boal vai ao Rio de Janeiro dirigir o show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão (depois substituída por Maria Bethânia). A iniciativa surge de um grupo de autores ligados ao Centro Popular de Cultura da UNE - CPC, posto na ilegalidade - Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa reúnem-se no intento de criar um foco de resistência à situação. O evento torna-se sucesso instantâneo e contagia diversos outros setores artísticos (Opinião 65, exposição de artes plásticas no Museu de Arte Moderna, MAM/RJ, surge na seqüência), aglutinando artistas ligados aos movimentos de arte popular. Assim nasce o Grupo Opinião, que permanece combativo até 1968.
Boal fundou o Teatro do Oprimido que alia teatro à ação social. Suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo notadamente nas três últimas décadas do século XX, tornando-o uma importante figura do teatro contemporâneo internacional. Seu método foi empregado não só como instrumento de emancipação política por profissionais das artes, mas também na área da educação, saúde mental e do sistema prisional.
Sua obra foi traduzida em mais de vinte línguas e suas concepções são estudadas nas principais escolas do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas.
Boal foi professor na New York University, na Harvard University e na Université de La Sorbonne-Nouvelle. O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 02 de maio de 2009, deixando uma obra vasta: Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas; O teatro como arte marcial; Jogos para atores e não atores; Hamlet e o filho do padeiro - memórias imaginadas; Arco Íris do Desejo; Teatro Legislativo etc. Existem pelo menos 29 livros publicados no mundo inteiro sobre Boal ou sobre o Teatro do Oprimido, em línguas que vão desde o inglês, italiano, alemão, até o hindi indiano e o urdu do Paquistão.
Centro De Teatro Do Oprimido - Cto
O Centro de Teatro do Oprimido – CTO, surgido em 1986, é um centro de pesquisa e difusão, que desenvolve metodologia específica do Teatro do Oprimido em Laboratórios e em Seminários, ambos de caráter permanente, para revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. Nos laboratórios e seminários são elaborados e produzidos projetos sócio-culturais, espetáculos teatrais e produtos artísticos, tendo como alicerce a Estética do Oprimido. A filosofia e as ações desta instituição visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes. Além da propagação do Teatro do Oprimido como meio, da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania. O CTO implementa projetos que estimulam a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, e visam à transformação da realidade a partir do DIÁLOGO e através de meios estéticos.
Programação
- Na Caixa Cultural RJ – Teatro Nelson Rodrigues: acontece a 1ª Conferência Internacional de Teatro do Oprimido, que tem entre as suas atividades: painéis de discussão sobre o impacto do Teatro do Oprimido em diferentes áreas temáticas e regiões do mundo; Mostra Internacional de Vídeos (Alemanha, Paquistão, Canadá, Espanha, Moçambique, Índia etc); e exposição A Estética do Oprimido. Entrada franca.
– Teatro de Arena: acontece às apresentações públicas de espetáculos (nacionais e internacionais), Teatro-Fórum com sessões de Teatro Legislativo; e exposição A Estética do Oprimido. Ingressos a preços populares.
- Na sede do Centro de Teatro do Oprimido: será realizado o Encontro Internacional de Praticantes de Teatro do Oprimido, com 50 estrangeiros e 10 brasileiros, integrantes de grupos, projetos e/ou instituições com reconhecida atividade com o método do Teatro do Oprimido em suas regiões e países; e exposição A Estética do Oprimido.
Ficha de inscrição e programação detalhada, assim como informações atualizadas a respeito da 1ª Conferência Internacional de Teatro do Oprimido e do Encontro Internacional de Praticantes do Teatro do Oprimido, estão disponíveis no site www.ctorio.org.br
Serviço
- Caixa Cultural RJ – Teatro Nelson Rodrigues; Av. República do Chile 230 (anexo) Centro/RJ – Tel. (21) 2262-5483.
O que acontece: Conferência Internacional de Teatro do Oprimido, Mostra Internacional de Vídeos e Exposição da Estética do Oprimido. Horários: Conferência dias 21 e 22/7 de 9 às 19h, dia 23/7 de 9 às 13h – Exposição de 10 às 22h (dom. até 19h). Ingressos grátis – Classificação LIVRE. Programação completa no site www.ctorio.org.br.
- Caixa Cultural RJ – Teatro de Arena. Av. Almirante Barroso 25, Centro/RJ – Tel. (21) 2544-4080.
O que acontece: Espetáculos e Exposição da Estética do Oprimido. Horários: Conferência dia 23/7 de 15 às 19h – Espetáculos dias 21 até 25/7 às 20h – Exposição de 10 às 22h (dom. até 19h). Ingressos a preços populares – Classificação LIVRE. Programação completa no site www.ctorio.org.br.
- Centro de Teatro do Oprimido – CTO. Av. Mem de Sá 31, Lapa/RJ – Tels. (21) 2232-5826.
O que acontece: Encontro Internacional de Praticantes de Teatro do Oprimido, Exposição da Estética do Oprimido e Sarau Cultural. Ingressos: O Encontro Internacional de Praticantes de Teatro do Oprimido é exclusivo para grupos, projetos e instituições com reconhecida atividade com o método do Teatro do Oprimido em suas regiões e países. A Exposição da Estética do Teatro do Oprimido e Sarau Cultural tem entrada franca. Horários: Exposição de 10 às 19h – Sarau Cultural dia 25/7 às 22:30h
Programação completa no site www.ctorio.org.br.
* Carol Moryc
- Jornalista, Atriz e Poeta
e-mail:colunaculturaemfoco@gmail.com
- JSO: 16 de julho de 2008

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