Bolsa perde metade do valor no ano

Dow Jones fechou em forte baixa de 3,59% e atingiu 8.378 pontos
O medo de recessão se aprofundou sobre os mercados na sexta-feira, 24 de outubro e selou uma semana extremamente negativa para as bolsas. Depois de sinais claros da chegada da crise sobre a economia real, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) reforçam a tese de que o Reino Unido já se encontra em recessão. A onda de pessimismo voltou a se espalhar e o Índice Bovespa bateu queda acumulada de 50% no ano.
Na semana, o saldo foi negativo em 13,51% para a bolsa brasileira.
Não faltaram motivos para derrubar novamente o ânimo do investidor. O PIB britânico determinou o primeiro passo negativo dos mercados ao mostrar retração de 0,5% no terceiro trimestre, reforçando o discurso anterior do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, de que o país já se encontra em uma recessão.
As bolsas da Europa receberam a notícia com fortes baixas que atingiram Wall Street. Paralelamente, o mercado de commodities via no crescimento das apostas de desaceleração global o sinal para a expressiva queda do petróleo e metais básicos. As ações atreladas ao segmento de energia se destacaram, assim, na ponta negativa dos índices norte-americanos.
As referências ruins atingiram novamente a temporada de resultados corporativos. Na Europa, a sueca Volvo e as francesas Peugeot e Renault ocupam as manchetes. A primeira com queda de 36% em seu lucro, as duas últimas ao cortar as projeções de ganhos. Nos Estados Unidos, destaque para a aquisição do National City pelo PNC e novas preocupações em torno da AIG. A agenda de indicadores desta vez surpreendeu com um Existing Home Sales superior às projeções, mas sem força suficiente para inverter o cenário. No decorrer da tarde, novos rumores deram conta da intenção do Tesouro norte-americano em expandir programa de ajuda a seguradoras, também insuficiente para uma virada dos negócios.
Destaques corporativos
O cenário doméstico destacou a resposta das ações da Vale aos resultados trimestrais divulgados na véspera e a forte desvalorização dos ativos do Unibanco. A mineradora apresentou recordes em sua receita trimestral e um lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, quase três vezes superior ao registrado no mesmo período de 2007. Ainda assim, as ações não resistiram ao vermelho.
O Unibanco resolveu antecipar dados operacionais e anunciar um programa de recompra de ações mais agressivo frente ao anunciado em fevereiro, atingindo até 40 milhões de units. De acordo com prévia não-auditada, o Unibanco lucrou R$ 704 milhões no terceiro quarto do ano.
Ibovespa cai 6,91%; dólar a R$ 2,328
Acompanhando o pessimismo dos mercados internacionais, o Ibovespa fechou a sexta-feira com queda de mais 6,91% e atingiu a margem de 31.481 pontos, menor patamar desde novembro de 2005. No dia, o volume de negócios foi de R$ 4,4 bilhões.
Mesmo com novas intervenções do Banco Central, o dólar comercial voltou a apresentar valorização na comparação com o real e terminou o dia marcando alta de 1,39%, cotado a R$ 2,3280. Na semana, o dólar acumulou valorização de 10,02%.
As ações da Aracruz lideraram o movimento declinante do Ibovespa e fecharam a sexta-feira marcando baixa de 13,73%. No saldo da semana, o pior desempenho foi dos ativos da ALL, que acumularam desvalorização de 39,81%.
Na contramão, os papéis da Telesp encabeçaram as quatro altas do índice, com valorização de 5,63%.
Renda Fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2009, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 14,42%, alta de 0,27 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 98,75%
de seu valor de face, o que representa uma alta de 2,06%.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 646 pontos-base, baixa de 11 pontos em relação ao fechamento anterior.
Bolsas dos EUA em baixa
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em forte baixa de 3,59% e atingiu 8.378 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 3,45%, a 876 pontos. Da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 3,23%, a 1.552 pontos.
Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou forte baixa de 5,00% e atingiu 3.883 pontos. No mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt desvalorizou-se 4,96%, chegando a 4.296 pontos. Já o CAC 40, da bolsa de Paris, caiu 3,54%, a 3.194 pontos.
Indicadores previstos para a segunda-feira
Na segunda-feira, 27 de outubro, a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) anuncia o IPC referente à terceira quadrissemana de outubro, o Banco Central publica o relatório semanal Focus, que compila a opinião de consultorias e instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos, o Ministério de Comércio Exterior apresenta a Balança Comercial referente à última semana, que mede a diferença entre exportações e importações contabilizadas durante o período e nos Estados Unidos, sairá o New Home Sales, índice que mostra o número de casas novas com compromisso de venda realizado durante o mês de setembro.
- Roberto Altenhofen Pires Pereira-InfoMoney

-JSO: 24 de outubro de 2008