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G20 discute em São Paulo alternativas para a crise financeira


O G-20

Neste fim de semana, ministros de Economia e presidentes de bancos centrais das grandes economias desenvolvidas e emergentes debaterão alternativas para a crise financeira internacional. A reunião anual do chamado G20 financeiro ocorrerá em São Paulo, já que o Brasil ocupa a presidência rotativa do grupo.
Na sexta-feira, 07 de novembro, representantes do Brasil, da Índia, China, África do Sul, do México e da Rússia – seis potências emergentes - passam o dia reunidos na capital paulista, fechando posições para o encontro. Os cinco primeiros compõem o grupo conhecido como G5 e participam anualmente como convidados das reuniões do G8 – grupo das sete economias mais industrializadas do planeta mais a Rússia.
O G20 se reúne todos os anos desde 1999. Este ano, diante da conjuntura internacional, o foco não poderia ser outro que não a crise financeira. De acordo com o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Galvão, ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais analisarão as causas da crise, seus reflexos na inflação, nos preços das commodities e nas oscilações cambiais e medidas adotadas para minimizar os impactos.
A reunião de São Paulo vai preparar o diálogo para a primeira cúpula de chefes de Estado do G20 financeiro, convocada pelo presidente norte-americano, George W.Bush, para o dia 15 deste mês, em Washington. Além disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitará a presença do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellinck, para pedir maior participação dos países emergentes nas decisões de organismos financeiros multilaterais.
O G20 foi criado em 1999, na busca de respostas articuladas para a crise do final dos anos 90, que começou na Ásia e acabou atingindo o mundo todo. A idéia era estabelecer um grupo mais representativo de países para tratar fundamentalmente de estabilidade financeira e políticas para evitar novas crises. Com o passar dos anos, o grupo ampliou sua agenda.
Na presidência rotativa, o Brasil propôs três temas para 2008: Competição nos Mercados Financeiros, Energia Limpa e Desenvolvimento Econômico e Elementos Fiscais de Crescimento e Desenvolvimento. Os assuntos foram debatidos em seminários realizados em fevereiro na Indonésia, em maio em Londres e em junho em Buenos Aires.
A explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos e seu efeito dominó sobre o mercado financeiro internacional acabaram mudando o foco dos debates da reunião anual. A urgência do tema levou o ministro Guido Mantega a convocar, pela primeira vez desde a criação do gru po, uma reunião extraordinária em nível ministerial, realizada no dia 11 de outubro, em Washington, à margem da reunião anual do FMI e do Banco Mundial. No comunicado final, o grupo comprometeu-se a "utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros”.
Participam do G20 ministros da Economia e presidentes de bancos centrais de 19 países: os oito países do G8 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia - mais África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. A União Européia também integra o grupo, representada pela presidência rotativa do Conselho Europeu e pelo Banco Central Europeu. Juntos, os países membros representam cerca de 90% do produto nacional bruto mundial, 80% do comércio internacional e cerca de dois terços da população do planeta.

Brasil vai pedir mais voz para emergentes


Mantega prepara propostas

O Brasil deverá apresentar na reunião do G20, propostas para aumentar a participação dos países emergentes no processo de reformulação do sistema financeiro mundial.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda está preparando as propostas brasileiras, segundo informações de sua assessoria, mas já afirmou que irá sugerir uma divisão mais eqüitativa entre os países nesse processo de reforma.
Em um artigo publicado nesta sexta-feira, Mantega reforçou essa posição, ao afirmar que "no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, as economias avançadas e as emergentes devem participar de modo eqüitativo das decisões".
- "Foros mais representativos, como o próprio G20, precisam ser reforçados, e o G7, que reúne as economias mais industrializadas do mundo deve ser ampliado.", escreveu o ministro.
Segundo Mantega, para ter um papel mais importante, o G20 "terá de ser capaz de encaminhar políticas concretas" e suas deliberações "devem influir mais diretamente no trabalho das instituições financeiras multilaterais".

Sala de situação

De acordo com o Ministério da Fazenda, uma das propostas que o Brasil deverá apresentar neste final de semana é a de um melhor aparelhamento do G20, de forma a aprimorar a comunicação entre os países.
Mantega também deverá reiterar a proposta de uma "sala de situação", que seria um local virtual, com total segurança, no qual os participantes poderiam discutir respostas a situações específicas mais urgentes.
Em meio à crise financeira global, a reunião deste sábado e domingo ganha importância, afirmam analistas, e servirá de preparação para um encontro entre os chefes de Estado dos países do G20 no dia 15, em Washington.
Durante os dois dias de reuniões em São Paulo, ministros de Economia e presidentes de Bancos Centrais do G20 deverão discutir as causas da crise, seu impacto nos países em desenvolvimento e cenários para a economia mundial.
Os países deverão apresentar propostas para o aprimoramento da governança no sistema financeiro global. Segundo o Ministério da Fazenda, durante o encontro será preparada a pauta e as propostas a serem discutidas na reunião dos chefes de Estado na capital americana.

Distorções

O Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do G20, grupo que foi criado em 1999, logo após a crise asiática, com o objetivo de tratar de questões relativas à estabilidade financeira.
Com o tempo, o grupo passou a ter uma agenda mais ampla, que incluía temas como meio ambiente e energia. No entanto, com o atual agravamento da crise financeira, não somente o papel do G20, mas também o de outras instituições, entrou em debate.
Economias em desenvolvimento, como os países que formam o chamado grupo dos Bric: Brasil, Rússia, Índia e China, querem maior participação nas decisões.
- "A crise pode ser uma oportunidade para corrigir distorções.", diz o economista Otto Nogami, professor da Escola Ibmec São Paulo.
Segundo o economista, a solução para a crise passa pelo que será feito nos países emergentes e esses países deveriam ter um papel mais ativo nas decisões.
- "Os países que compõem o G20 representam juntos cerca de 90% do PIB mundial. A reunião deste fim de semana deverá discutir a necessidade de regulamentação do mercado e o papel do FMI e do Banco Mundial.", disse Nogami.
De acordo com Nogami, o FMI deveria ter instrumentos mais eficazes de fiscalização e monitoramento e criar mecanismos para minimizar a vulnerabilidade dos países.
- "É preciso repensar o modelo mundial.", diz o economista.

-JSO: 07 de novembro de 2008

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