UE propõe mudar sistema financeiro global em cem dias

Nicolas Sarkozy: - União Européia defenderá linha da 'transparência'
Os líderes dos países da União Européia aprovaram na sexta-feira, 07 de novembro, em Bruxelas um documento de quatro páginas em que propõem adotar medidas para mudar o sistema financeiro internacional dentro de cem dias.
As sugestões contidas no documento devem ser defendidas pelo bloco na reunião de cúpula do G-20 do próximo dia 15, em Washington, em que será discutida a atual crise financeira global.
A pressa e a necessidade de maior transparência dão a tônica do documento europeu, em que a Presidência francesa da União Européia propõe medidas concretas para dirigir o que deve ser a reforma do sistema financeiro mundial.
- "A União Européia defenderá unida uma linha na reunião de Washington: a linha da transparência e da refundação. A Europa fala com uma só voz. E que todos tenham consciência dessa novidade.", afirmou o presidente do bloco, o francês Nicolas Sarkozy, que insistiu no consenso entre os 27 países membros.
Mudanças
De acordo com a proposta européia, o novo sistema financeiro mundial deve ser fundado "sobre o princípio da transparência das operações financeiras" e incluir "códigos de conduta" que evitem que as instituições se aventurem em riscos excessivos.
- "Nenhuma instituição financeira, nenhum segmento de mercado, nenhuma jurisdição deve escapar de regulamentação e supervisão.", diz o documento.
No centro desse novo sistema, a União Européia vislumbra um Fundo Monetário Internacional (FMI) com papel reforçado, dotado de meios técnicos que permitam efetuar uma coordenação mais rápida e intervir de forma preventiva na eventualidade de uma nova crise.
Os europeus pedirão que os países adotem regras de governança para todos os atores financeiros, inclusive as agências de avaliação, e que se criem colégios de supervisores para coordenar o controle dos organismos nacionais sobre grandes grupos financeiros internacionais.
Eles também defenderão que as normas contábeis sejam modificadas para evitar a formação de "bolhas especulativas" em momentos de crescimento econômico, o que acentua os problemas em posteriores momentos de crise.
A União Européia propõe que a aplicação das medidas necessárias para essas mudanças e a adoção de novas iniciativas sejam avaliadas em uma nova reunião internacional a ser realizada cem dias depois da cúpula de Washington, quando o governo dos Estados Unidos já estará sob o comando de Barack Obama.
- "Esperamos que o presidente Obama nos ajude a mudar a governança mundial, que esteja ao nosso lado para que a crise não sacrifique os interesses dos países pobres em desenvolvimento, que já estão sofrendo as conseqüências dessa crise", disse Sarkozy.
-JSO: 07 de novembro de 2008
