Mosaico
Getúlio Vargas
Quinta parte - O
Estado Novo
Com a criação do Estado Novo, todos
os partidos políticos foram postos fora da lei, inclusive a Ação
Integralista Brasileira. Os integralistas prepararam um golpe, que previa
o assassinato do presidente e da sua família. Fracassou, porém, o
assalto ao Palácio Guanabara, em 11 de maio de 1938.
O governo ditatorial de Vargas reprimiu
toda atividade política e tomou medidas econômicas de tendências
nacionalistas, como a criação do Conselho Nacional de Petróleo e
da Companhia Siderúrgica Nacional. Além disso, iniciou a construção
do complexo Siderúrgico de Volta Redonda. Neste período foi também
criada a Justiça do Trabalho e editado o decreto da Consolidação
das Leis Trabalhistas.
Com a eclosão da segunda guerra mundial,
depois da agressão japonesa a Pearl Harbour, em dezembro de 1941 e
da conferência dos chanceleres americanos no Rio de Janeiro, em janeiro
de 1942, que decidiu pelo rompimento de relações entre os países
americanos e as nações do Eixo, Getúlio apoiou os aliados e
rompeu relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão. Os
alemães, em represália, torpedearam navios mercantes brasileiros ao
longo de rotas do Atlântico.
Esses fatos, somados à crescente pressão
interna em favor da participação do Brasil no conflito, levaram Vargas
a declarar guerra à Alemanha, em 22 de agosto de 1942. A participação
do Brasil na Guerra, ao lado das nações democráticas, acelerou o
processo de redemocratização do país. Em outubro de 1943, um grupo
de políticos mineiros, com destaque para Artur Bernardes, Afonso Pena
Júnior, Virgílio de Melo Franco, Magalhães Pinto, Milton Campos,
Pedro Aleixo e Odilon Braga, redigiu e distribuiu um manifesto contra
o Estado Novo, que entrou para a história com o nome de “Manifesto
dos Mineiros”. Todos os participantes foram proscritos politicamente.
A partir de novembro de 1943, Getúlio
começou a acenar com a perspectiva de redemocratização do país.
Em 22 de fevereiro de 1945, o jornal carioca “Correio da Manhã”
publicou uma entrevista com José Américo de Almeida, que reivindicava
eleições presidenciais sem a participação de Vargas. Em 28 de fevereiro
do mesmo ano, foi baixado um ato adicional à Constituição de 1937,
segundo o qual, dentro de 90 dias seria fixada a data das eleições.
Surgiram as candidaturas de Eduardo
Gomes, reunindo os principais opositores de Getúlio e do então Ministro
da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, apoiado pelo governo. Foram
organizados os partidos políticos, a União Democrática Nacional,
agrupando os inimigos de Vargas; o Partido Social Democrático, contando
com os interventores dos Estados e tendo por chefe o próprio Getúlio,
e ainda o Partido Trabalhista Brasileiro, criado pelos auxiliares de
Vargas, visando aproveitar o seu prestígio na classe trabalhadora.Em
28 de maio, Getúlio fixou a data das eleições para 2 de dezembro
de 1945.
Para substituir o General Dutra no
Ministério da Guerra. Getúlio designou o General Góes Monteiro. Este
terminou por associar-se à conspiração que se articulava para depor
Getúlio. O processo de deposição do presidente foi desencadeado quando
Vargas resolveu substituir o Chefe de Polícia, João Alberto,por seu
irmão Benjamim, que não era bem visto pelos altos chefes das forças
armadas. O General Góes Monteiro mandou ocupar militarmente a cidade
do Rio de Janeiro e enviou a Vargas um ultimato, para que renunciasse.
Getúlio cedeu, aceitando a renúncia.
O governo foi entregue ao Presidente
do Supremo Tribunal Federal, ministro José Linhares. Getúlio seguiu
para São Borja, de onde continuou a influir no processo político.
Poucos dias antes das eleições presidenciais, Getúlio lançou um
manifesto de apoio à candidatura Dutra, mas declarando que depois das
eleições estaria ainda ao lado do povo contra o presidente, se não
fossem cumpridas as promessas do candidato.
Nas eleições de 2 de dezembro de
1945, Dutra foi eleito Presidente. Getulio, sem sair de São Borja,
elegeu-se Senador pelo Rio Grande do Sul e por São Paulo, e Deputado
Federal por seis Estados e mais o Distrito Federal, recebendo ao todo
cerca de 1.300.000 de votos, que representavam 17% do eleitorado.
- Escritor
mourise@gigalink.com.br
* JSO - 25 de fevereiro de 2007