Mosaico
Getúlio Vargas
Sétima Parte
– Fim do governo de Getúlio Vargas
Na madrugada de 5 de agosto de 1954,
o jornalista Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Vargas, sofreu um
atentado e foi ferido. O major-aviador Rubens Florentino Vaz, que o
acompanhava, recebeu um ferimento mortal. Foi o início de uma crise
sem precedentes. O governo procurou controlar a situação, determinando
imediata abertura de inquérito.
Os oficiais da aeronáutica promoveram
verdadeira caçada ao criminoso, finalmente encontrado. Depondo na base
aérea do Galeão, revelou este suas ligações com membros da guarda
pessoal de Getúlio e ela foi imediatamente extinta. Getúlio determinou
a abertura do Palácio do Catete às investigações policiais. Gregório
Fortunato e outros membros da guarda palaciana foram presos.
A pressão sobre o governo se intensificou
no Congresso e várias instituições aderiram à tese da renúncia
do presidente, a começar pela Ordem dos Advogados do Brasil. O próprio
vice-presidente, João Café Filho, apresentou a fórmula de renúncia,
pela qual ele e o presidente renunciariam aos seus mandatos.
No dia 22 de agosto de 1954, brigadeiros
reunidos no Clube da Aeronáutica resolveram apresentar ao presidente
a exigência da renúncia imediata. No dia seguinte, o movimento estendeu-se
à marinha e ao exército. Diante do pronunciamento militar, Getúlio
reuniu o ministério e concordou com o seu licenciamento até que as
responsabilidades pelo assassinato do Major Vaz fossem apuradas.
Nas primeiras horas da madrugada do
dia 24, Getúlio recebeu a notícia de que o exército não aceitara
a fórmula do afastamento temporário e que o próprio Ministro da Guerra
optara pelo afastamento definitivo.
Diante deste quadro, Getúlio pôs
fim à vida, com um tiro no coração.
Nota do Autor: Leia na próxima edição
de MOSAICO, o inteiro teor da carta-testamento deixada por Getúlio
Vargas.
- Escritor
mourise@gigalink.com.br
* JSO – 10 de março
de 2007