Mourise Hazan
A Fuga
* Mourise Hazan
O ato de fugir não é praticado exclusivamente
pelo homem mas, sim, por quase todas as espécies do reino animal.
Quem consegue pegar um pássaro com
as mãos ? Qual o cão que ameaçado, opta por aproximar-se do ameaçador
a sair correndo em disparada ? É admirável a rapidez com que o veado
escapa à aproximação do caçador. Os pescadores experimentados sabem
que afugentarão os peixes, em rápida fuga, se fizerem barulho à beira
da água.
Insetos, como formigas, abelhas e gafanhotos
fogem dos ruídos ameaçadores; as serpentes picam os homens se não
puderem fugir. A avestruz foge escondendo a cabeça, as amebas encolhendo-se
todas.A lagartixa solta a cauda para poder fugir.
Como, então, esperar que o ser humano,
genuíno animal que é, tenha sido poupado do “espírito de fuga”?
Seria, junto aos elevados atributos que recebeu, merecer mais este,
a discordar notoriamente com o reino a que pertence.
Assim como os reis bíblicos David
e Salomão afirmaram que todo o homem é mentiroso e pecador, não será
exagerado dizer que todo o ser humano foge.
O ato de fugir é denominado em psicologia
como “reação de fuga”, ou tendência para abandonar uma situação
em que exista frustração. Neste caso, trata-se de um mecanismo inconsciente,
diverso da fuga consciente ante objetos perigosos.
A criança aprende a fugir de alguma
coisa pelas experiências que vai adquirindo. A fuga-frustação do
adolescente e do adulto é conseqüente dos conflitos psicológicos
pelos quais passaram.
Torna-se necessário uma reeducação
que possa superar o processo, uma vez que a reação de fuga em geral
tem resultados negativos, mesmo dando alívio a uma grande tensão.
A fuga justificável é aquela que
visa não participar de um mal que não pode ser modificado. Não é
pequeno o espectro desse mal. Nele estão incluídos as más companhias,
os maus sentimentos, a mentira e muitos outros pecados deste mundo.
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