Projetada 100.000 casos de gripe H1N1 por dia
A Grã Bretanha projeta mais de 100.000 novos casos de gripe H1N1 por dia até o final de agosto e irá alterar o modo de tratamento do vírus, disse o governo nesta quinta-feira.
- "Podemos ver mais de 100.000 casos por dia até o final de agosto, embora eu enfatize que isto é somente uma previsão.", disse ao Parlamento o ministro da Saúde, Andy Burnham.
Ele disse que o número de casos confirmados do novo vírus, conhecido como gripe suína, está dobrando a cada semana, pressionando os serviços de saúde.
- "Sempre soubemos que seria impossível conter o vírus indefinidamente e que em algum momento teríamos que nos mover da contenção ao tratamento do crescente número de pessoas doentes.", continuou.
A Organização Mundial da Saúde declarou, no dia 11 de junho, que a propagação do vírus era uma pandemia. Mais de 77.000 pessoas foram infectadas em todo o mundo.
A maioria das pessoas que foi infectada pelo vírus apresentou apenas sintomas leves, mas uma pequena minoria teve sinais mais graves, com três mortes na Grã Bretanha até agora.
As primeiras doses da vacina contra a gripe H1N1 devem chegar à Grã Bretanha até o final de agosto, com 60 milhões de doses disponíveis até o final do ano, suficientes para 30 milhões de pessoas, ou cerca de metade da população.
Autoridades de saúde tornarão uma prioridade a entrega de medicamentos antivirais para os mais vulneráveis, e abandonarão a política de acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados pela nova doença.
Autoridades de saúde também deixarão de produzir relatórios diários sobre o número de novos casos, divulgando apenas estimativas gerais sobre infectados. Há 7.447 casos confirmados de gripe H1N1 na Grã Bretanha.
A Gripe
A gripe costuma ser uma doença bastante comum e simples. Seres humanos pegam gripe várias vezes ao longo de sua vida, às vezes até mais de uma por ano. Mas o que muita gente não sabe é que a gripe, apesar de ser considerada "simples", é uma das mais perigosas viroses humanas.
O Vírus

Esquema da estrutura de um vírus Influenza. O RNA fica no centro, envolvido por um capsídeo protéico (Capsid), e em seguida por um envelope lipoporotéico (lipid envelop). Ainda as glicoproteínas hemaglutininas e neuraminidases
A gripe é causada por um vírus chamado de "Influenza". Trata-se de um vírus de RNA de fita simples, envolvido por uma capa protéica helicoidal englobada por um envelope lipoprotéico. Traduzindo: em vez de possuir DNA em seu interior, como a maioria dos vírus, ele apresenta um filamento único de RNA. Tal fato lhe confere uma terrível propriedade: ele se torna um vírus mutante. Enquanto o DNA possui uma grande estabilidade, o RNA sofre mutações facilmente. Por isso, esses vírus estão sempre se "transformando", o que dificulta o nosso organismo de combatê-los. Para entender melhor: Quando um ser hunamo é infectado por um vírus Influenza do tipo "X", ao combatê-lo, adquire imunidade contra esse vírus do tipo "X". Mas se esse vírus sofre uma mutação e vira "Y", o seu organismo não mais o reconhece e você adquire novamente a doença. Cada gripe é única! Nunca se pega duas vezes a mesma gripe...
Existem 4 tipos principais de vírus Influenza: A, B, C e Thogotovírus. Os vírus são identificados pelas glicoproteínas que apresentam em seus envelopes lipídicos. Existem 2 tipos de glicoproteínas: as Hemaglutininas (HA) e as Neuraminidases (NA). O vírus do tipo A, por exemplo, tem 16 subtipos de HA e 9 subtipos de NA. Atualmente apenas os subtipos H1 e H3 e N1 e N2 estão circulando em humanos. Há outros subtipos circulando na natureza em animais, como aves e mamíferos.
Vacinas
Não é possível colocar todos os subtipos de vírus numa vacina. Elas são normalmente fabricadas com os vírus que tiveram maior circulação no ano anterior.
No caso do Brasil, os que tiveram maior circulação no Hemisfério Sul no ano anterior. As amostras incluídas nas vacinas são feitas 2 vezes por ano pela OMS: uma em fevereiro para as vacinas de inverno no hemisfério norte, e outra em setembro para as vacinas de inverno no hemisfério sul. As vacinações são feitas no período de inverno, pois é quando a população passa mais tempo em ambientes fechados, por causa do frio, aumentando a transmissão do vírus de uma pessoa a outra. A vacina contra gripe obrigatória em idosos aqui no Brasil se deve ao fato de que nesta idade há um risco maior da gripe evoluir para pneumonia.
Epidemias
As epidemias de gripe ocorrem quase que anualmente. Normalmente elas surgem na Ásia, chegam à Europa em cerca de 6 meses, demoram mais uns 6 a 9 meses para chegar nos EUA e mais vários meses para atingir o Brasil. Conforme a população vai se tornando imunizada, o subtipo viral responsável pela epidemia vai diminuindo sua ocorrência. É interessante notar que um dos últimos lugares a ser atingido por uma epidemia é justamente o Brasil, o que nos dá a vantagem estratégica de imunizar a população com antecedência através de campanhas de vacinação.
Gripe Espanhola
O grande perigo da gripe está em sua capacidade de mutação. De vez em quando, uma dessas mutações é capaz de gerar um subtipo letal do vírus Influenza. Foi o caso da famosa "Gripe Espanhol" que provocou uma pandemia, epidemia mundial nos anos de 1918-1919, ao se espalhar durante a 1ª Guerra Mundial.
Calcula-se que metade da população mundial foi infectada. Registrou-se algo em torno dos 20 a 40 milhões de mortos no mundo todo em decorrência desta gripe, fazendo dela a mais terrível epidemia da história da humanidade. O vírus da gripe espanhola é do tipo H1N1 (hemaglutinina 1 e neuraminidase também 1).
- Fontes Agencias de Noticias
- JSO: 03 de julho de 2009
