Caos em Porto Príncipe: nas ruas corpos e escombros
Foto de Porto Principe apos o terremoto. Milhares de pessoas ainda estão soterradas
Ajuda humanitária internacional começou a chegar ao Haiti. Os primeiros aviões já começaram a chegar ao aeroporto de Porto Príncipe, capital do Haiti, com ajuda humanitária e equipes de resgate para auxiliar as vítimas do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a cidade na terça-feira, dia 12 de janeiro.
Aviões provenientes da Venezuela, China e Estados Unidos desembarcaram no Haiti na quarta-feira, 13 de janeiro e equipes do Brasil, Grã-Bretanha, França, Dinamarca, Cuba, México, entre outras de varios outros paises estão chegando na quinta-feira, 14 de janeiro.
De acordo com observadores, muito mais ajuda será necessária porque a população haitiana precisa desesperadamente de toda a ajuda internacional que for possivel mobilizar.
Em Poto Príncipe o governo local não tem equipamento para ajudar a retirar as vítimas de dentro dos prédios que desmoronaram. Equipes de resgate voltam do centro da capital cobertos de poeira e afirmam que a situação na cidade é “um pesadelo”.
Corpos estão nas ruas e milhares ainda estão sob os escombros
O terremoto deixou um cenário de devastação em Porto Príncipe, destruindo o palácio presidencial, a sede da ONU no país e outros prédios importantes.
Muitos haitianos estão passando a segunda noite sem abrigo nas ruas da cidade, algumas com receio de voltar para as casas atingidas pelo terremoto. Testemunhas afirmam que muitos tentavam escavar os escombros com as mãos ou com ferramentas simples para tentar encontrar vítimas que possam estar soterradas.
Mais de 24 horas depois do terremoto, ainda não há uma contagem oficial dos mortos. O presidente do Haiti, René Préval, classificou o tremor como uma “catástrofe” e disse que “milhares podem estar mortos”.
Segundo a Cruz Vermelha Internacional, até 3 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelo maior terremoto a atingir o país em dois séculos.
Operações de ajuda
Centenas de moradores aguardam ajuda nas ruas e praças de Porto Principe
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que será necessária uma grande operação de ajuda para o país. A Organização anunciou a liberação de US$ 10 milhões dos fundos de emergência para ajudar o país.
A missão de paz da ONU no Haiti - Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês -, informou que 150 funcionários continuam desaparecidos depois do desabamento de seu prédio em Porto Príncipe. A ONU já confirmou a morte de 16 de seus funcionários no país.
Além dos 9.065 policiais e soldados no Haiti, a Minustah também conta com 488 funcionários civis internacionais e locais. Vários países que participam da missão de paz, incluindo o Brasil, China e Paquistão, já informaram que estão enviando toda a ajuda disponivel.
Além da ONU, o Banco Mundial, cujos escritórios no Haiti foram destruídos pelo tremor, planeja enviar uma equipe ao país para avaliar os danos. A instituição ofereceu US$ 100 milhões para ajudar nos esforços de reconstrução.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberou US$ 200 mil em um pacote de ajuda de emergência imediata que poderá ser usado para compra de alimentos, água potável, medicamentos e abrigos temporários.
Haitianos passam noite nas ruas entre corpos e escombros
Centenas de moradores da capital não têm como retornar às suas casas
Dezenas de milhares de haitianos passaram a segunda noite seguida nas ruas, após o forte terremoto da terça-feira que devastou a capital do país, Porto Príncipe.
Muitos moradores da capital, desabrigados ou com medo de novos tremores, se agrupavam em lugares abertos para passar a noite, muitos deles próximos a escombros e corpos.
A situação na cidade é de desespero, sem sinais de um esforço de resgate coordenado, com suprimentos médicos escassos e com ajuda apenas agora começando a chegar e a se organizar.
Varias pessoas, entre elas crianças, são vistas dormindo ao lado de corpos em decomposição.
- “É um cenário de devastação. O hospital inteiro estava cheio de corpos, alguns cobertos, outros não. Líquidos escorriam para a rua. O cheiro é terrível, porque os corpos já estão começando a se decompor.”, relatam reporters que cobrem a catastrofe.
O que mais chama a atenção na cidade, ainda mais que os escombros e a poeira, é a quantidade de corpos sob cobertores por todos os lados.
- “Quando você anda pela cidade, ou passa de carro, pode ver esses corpos, com pessoas passando próximas, muitas delas confusas, completamente tomadas pelo que aconteceu a este país, o que aconteceu a esta cidade.”, relatam os reporteres.
O ambiente na cidade é comparado a um cenário de filme de terror.
- “O barulho de pessoas chorando, de pessoas rezando, e o som de coros religiosos que podem ser ouvidos pelo ar, tornam a situação ainda mais surreal.”, relatam testemunhas.
Busca por sobreviventes
Soldados brasileiros a serviço da ONU socorrem algumas vitimas
A busca por sobreviventes sob os escombros entrou madrugada adentro, auxiliada pela chegada de ajuda material e de equipes de resgate enviadas por vários países.
Testemunhas afirmam que muitos tentavam escavar os escombros com as mãos ou com ferramentas simples para tentar encontrar vítimas que possam estar soterradas.
A Cruz Vermelha Internacional estima que até 3 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelo terremoto.
O presidente René Preval, que escapou ileso após o desabamento do palácio presidencial, disse não ter uma estimativa oficial do número de mortos, mas que ouviu que eles podem chegar a 50 mil.
O terremoto de magnitude 7 na escala Richter, o pior no país em dois séculos, ocorreu às 16h53 de terça-feira, 12 de janeiro às 19h53 de Brasília, com epicentro a apenas 15 quilômetros da capital.
Segundo Roger Searle, professor do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha, a energia liberada pelo tremor foi equivalente à explosão de meio milhão de toneladas de dinamite.
Ajuda internacional
Os primeiros aviões com ajuda, provenientes da Venezuela, da China e dos Estados Unidos, começaram a desembarcar no aeroporto de Porto Príncipe.
Equipes de outros países como Brasil, Grã-Bretanha, França, Dinamarca, Cuba, México, entre outros, já estão chegando à capital.
Soldados da força de paz da ONU, que já tinham um papel-chave em manter a ordem pública no Haiti mesmo antes do terremoto, têm sido deslocados para controlar focos de intranquilidade e violencia, em meio a relatos de varios saques.
A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) relatou um “fluxo enorme” de pessoas feridas, muitas delas em estado grave, a clínicas improvisadas.
Segundo o porta-voz da MSF no Canadá, Paul McPhun, pacientes com “traumas graves, ferimentos nas cabeças, membros esmagados” têm buscado ajuda nas estruturas provisórias montadas pela organização.
Apesar disso, ele disse que os médicos da ONG têm apenas a capacidade de oferecer aos pacientes cuidado médico básico. Uma das clínicas de emergência da MSF desmoronou com o tremor e duas outras foram gravemente danificadas e não podem ser usadas.
Hans van Dillen, membro da MSF em Porto Príncipe, relatou que há “centenas de milhares de pessoas dormindo nas ruas porque não têm para onde ir.”.
- “Vemos fraturas expostas, ferimentos na cabeça.”, disse ele em um relato publicado no site da MSF. “O problema é que não podemos encaminhar as pessoas para o atendimento médico adequado neste momento.”, afirmou.
Em sua primeira entrevista desde o terremoto, o presidente haitiano, René Préval, descreveu o tremor como uma "catástrofe".
Falando na quarta-feira pela manhã á jornalistas, Préval afirmou que o país foi destruído e que ele acredita que milhares de pessoas foram mortas, mas não deu números exatos.
- "Temos que fazer uma avaliação", disse Préval, que acrescentou que a destruição é "inimaginável".
O premiê do país, Jean-Max Bellerive, disse à reportes de TV que o número de mortos pode chegar a 100 mil.
14 militares brasileiros mortos no Haiti
O número de militares brasileiros mortos durante o terremoto no Haiti subiu para 14, de acordo com nota divulgada pelo Ministério da Defesa brasilleiro.
São eles:
- 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- 2º Sargento Davi Ramos de Lima, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- 2º Sargento Leonardo de Castro Carvalho, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena
(SP).
- 3º Sargento Rodrigo de Souza Lima, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Cabo Douglas Pedrotti Neckel, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Cabo Washington Luis de Souza Seraphin, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena
(SP).
- Soldado Tiago Anaya Detimermani, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Soldado Antônio José Anacleto, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Soldado Felipe Gonçalves Julio, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Soldado Rodrigo Augusto da Silva, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
- Cabo Ari Dirceu Fernandes Junior, do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).
- Soldado Kleber da Silva Santos, do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).
- Subtenente Raniel Batista de Camargos, do 37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins (SP).
- Coronel Emilio Carlos Torres dos Santos, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).
O comunicado informa também que quatro militares continuam desaparecidos:
- Coronel João Eliseu Souza Zanin, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).
- Tenente coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).
- Major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho, do Departamento-Geral do Pessoal, sediado em Brasília (DF).
- Major Márcio Guimarães Martins, do Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, sediada no Rio de Janeiro (RJ).
Dos 14 homens feridos, dois serão repatriados para o Brasil e dois estão internados na República Dominicana, país vizinho ao Haiti.
Ajuda brasileira
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, os comandantes do Exército, general Enzo Peri, e da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, chegando à base brasileira em Porto Principe
O plano emergencial do governo brasileiro de ajuda ao Haiti terá ações nas cinco áreas prioritárias identificadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que chegou na quarta-feira, 13 de janeiro, ao país: sepultamento dos mortos, socorro médico aos feridos, remoção de destroços, reforço da segurança nas operações e distribuição de suprimentos, principalmente água e comida.
A estratégia foi traçada pela comitiva brasileira no Haiti, após reuniões com comandantes militares que atuam nas forças de paz e visitas às tropas atingidas pelo terremoto. Jobim conversou sobre o plano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e relatou a situação da capital, Porto Príncipe, após a tragédia.
De acordo com o Ministério da Defesa, 15 engenheiros serão enviados ao Haiti para reforçar o Batalhão de Engenharia do Exército, que também vai receber equipamentos pesados da construtora OAS, que realiza obras no país, para auxiliar na retirada dos escombros e desobstrução das ruas, principalmente para garantir o acesso da ajuda humanitária e serviços de resgate.
Os engenheiros brasileiros também ajudarão no sepultamento dos corpos. A grande quantidade de mortos espalhados pelas ruas preocupa as autoridades pelo risco de epidemias e contaminação. O governo brasileiro vai sugerir às autoridades haitianas a indicação de um local para construção de um cemitério.
Pelo menos dois hospitais de campanha brasileiros serão montados em Porto Príncipe. As equipes e equipamentos para o primeiro, da Aeronáutica, devem seguir para o país. Também deverá ser enviado hospital de campanha da Marinha, além de kits do Ministério da Saúde com medicamentos para atendimento básico. Após o terremoto, muitos haitianos foram buscar socorro na sede da missão brasileira.
Até para receber a ajuda humanitária internacional, o Haiti deverá enfrentar dificuldades. A avaliação do governo brasileiro é que será necessário montar estrutura para armazenamento e distribuição dos alimentos que já começaram a chegar ao país.
As tropas brasileiras também deverão atuar no reforço da segurança de comboios de ajuda humanitária e hospitais de campanha, para evitar violência, mais saques e invasões.
- Com Agencia Brasil e Internacionais
- JSO: 14 de janeiro de 2010
