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Terremotos no Chile e Okinawa provocam tsunamis no Pacifico

Os terremotos causaram grandes destruições e mortes - Foto: divulgação
Os terremotos causaram grandes danos e mais de 300 mortes

Um terremoto de magnitude 8,8 atingiu atingiu sábado, 27 de fevereiro às 3h34m o centro-sul do Chile com duração de um minuto e meio, matando centenas de pessoas de acordo com o presidente eleito do país Sebastián Piñera. O terremoto gerou uma tsunami que atingiu vários países e ilhas por todo o Oceano Pacifico.
Piñera, que deve assumir a presidência em março, afirmou que o numeros de mortos já está estimado em cerca de 300 pessoas e pode aumentar.
De acordo com o United States Geological Service (USGS, por sua sigla em Inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital chilena, Santiago, e 91 quilômetros ao norte de Concepción.
O USGS registrou mais outros oito tremores depois do primeiro. O mais forte dele alcançou magnitude de 6,9, o que levou as autoridades chilenas a pedir aos moradores que permaneçam em casa.
A presidente chilena Michelle Bachelet declarou "estado de catástrofe" em cinco regiões do país, incluindo a capital, Santiago.
- "Não estamos falando de estado de catástrofe como estado constitucional. Estamos falando de zonas afetadas por catástrofe.", o que não significa um estado de exceção, segundo a presidente, mas mais "facilidades institucionais para responder à crise com recursos e atribuições extraordinárias.", afirmou a presidente.
- "Há uma enorme quantidade de danos, não sabemos sua dimensão exata, que ainda está sendo avaliada.", acrescentou Bachelet.
Em entrevista coletiva, Bachelet pediu paciência às pessoas e afirmou que há problemas de fornecimento de eletricidade "que não serão resolvidos de um dia para outro". Segundo ela, regiões que ainda contam com abastecimento de água poderão ajudar as regiões cujo fornecimento foi interrompido.
O terremoto deste sábado é o maior a atingir o Chile nos últimos 50 anos.

Tsunamis

Viña del Mar - Foto: divulgação
A destruição do terremoto também atingiu Viña del Mar

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que os Estados Unidos estão monitorando a situação.
- "Estamos prontos para ajudar nesta hora de necessidade.", afirmou.
Um alerta de tsunami foi emitido para as zonas costeiras do Chile, Equador e Peru, e depois estendido para a Colômbia, Panamá, Costa Rica e Antártida.
O alerta de tsunami também foi estendido para mais países no Oceano Pacífico, do Japão à Nova Zelândia. Sirenes de alerta foram disparadas para que as pessoas fossem para terrenos mais altos na Polinésia Francesa e no Havaí.
Ondas gigantes já passaram sem causar estragos por Polinésia Francesa, Taiti, Havaí e Nova Zelândia, mas ainda oferecem risco aos litorais de Japão, Rússia e Indonésia, onde são esperadas.
Michelle Bachelet informou que "uma onda de grandes proporções" atingiu o arquipélago de Juan Fernandez, chegando a uma área não habitada. Três pessoas estão desaparecidas.
A presidente, que havia planejado com antecedência uma viagem para a região de Bio Bio, afirmou que equipamentos seriam enviados de Santiago para as províncias do sul para restabelecer as comunicações interrompidas.
Bachelet, entretanto, descartou a possibilidade de tsunamis no Chile. Ela disse que é normal que as ondas fiquem mais altas após um terremoto, mas que não há previsão de ondas gigantes.

Interminável

Imagens de televisão mostraram uma grande ponte na cidade de Concepción desabou no rio Bio Bio. Equipes de resgate estão tendo dificuldades para chegar a Concepción devido aos danos à infraestrutura da região, de acordo com relatos da televisão chilena. Na região de Araucanía, onde houve vítimas, foram relatados danos a hospitais e redes de infraestrutura básica, como água, gás e eletricidade.
Algumas horas depois, a região sofreu outros tremores de 6,2 graus. Um edifício de 15 andares e uma ponte velha ruíram. Em Santa Cruz, na província de Colchagua, imagens mostram muitos prédios destruídos.
Moradores das zonas atingidas pelo terremoto descreveram o tremor como "interminável", e estados de choque sucessivos foram sentidos nas ruas, em meio a edificações já desruidas.
Segundo o USGS, os efeitos do tremor foram percebidos no mar de Valparaíso, na costa a oeste de Santiago.
Na capital chilena, Santiago, o tremor foi sentido durante um minuto e várias áreas ficaram sem eletricidade. O aeroporto de Santiago também sofreu danos devido ao terremoto e deve permanecer fechado por, pelo menos, 72 horas, com voos desviados para Mendoza, na Argentina.
A imprensa local relatou que há estradas destruídas e bloqueadas e muitas pessoas estão acampadas nas ruas. Vários hospitais tiveram que ser evacuados por terem sofrido danos em suas estruturas.
Graciela Martín, de Mendoza, no lado argentino da fronteira andina, afirmou que "deste lado da fronteira, sentimos um tremor de cerca de um minuto.".
Há inclusive depoimentos de pessoas que dizem ter sentido os efeitos no Brasil. A Defesa Civil de São Paulo recebeu mais de cem chamados, a partir das 3h, de várias regiões da capital, onde o abalo teria sido percebido. Na cidade de São Paulo, bombeiros receberam chamados da Avenida Paulista, da Rua Brigadeiro Tobias - onde fica o prédio da Polícia Civil, que foi vistoriado - e dos bairros de Tatuapé, na Zona Leste, e Sumaré, na Zona Oeste.A Defesa Civil de São Paulo confirmou os relatos, mas disse que não há danos ou vítimas.
Moradores de várias províncias argentinas chegaram a sentir a terra tremer. Além de San Juan, Mendoza, Neuquén e La Rioja, entre outras cidades próximas à fronteira com Chile, onde casas chegaram a ficar rachadas, o terremoto se refletiu também em Buenos Aires, capital da Argentina, a mais de mil quilômetros ao sul do país. Por medida de precaução, edifícios altos no centro de Buenos Aires foram evacuados. Em Mendoza, os moradores correram para a rua para se proteger do tremor. Alguns bairros registraram problemas no abastecimento de luz. O maior terremoto a atingir o Chile no século 20 foi um tremor de magnitude 9,5, que atingiu a cidade de Valdívia em 1960, deixando 1.655 mortos.
Para o sismólogo britânico Roger Musson, o terremoto deste sábado foi "gigantesco".
- "Qualquer movimento acima de oito graus é um grande terremoto.", precisou o especialista.
Mais de metade dos dez maiores terremotos registrados em todo o mundo – com mais de 8,5 graus de magnitude – ocorreu no Chile, incluindo o deste sábado com 8,8 graus. A maioria deles foi seguida por tsunamis, de acordo com o centro norte-americano.

Ajuda

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, expressou disposição para ajudar o Chile.
Em uma mensagem de condolências ao governo chileno, Ban Ki-moon afirmou que acompanha atentamente a evolução da situação no país, sobretudo o risco e as conseqüências de tsunamis na região do Oceano Pacífico.
Já o presidente Lula mandou equipe avaliar que tipo de ajuda Brasil poderá prestar ao Chile, informou o Itamaraty.
Até o momento, nenhum cidadão brasileiro consta da lista de vítimas fornecida pela Embaixada chilena em Brasília.

Número de mortos sobe

Pelo menos 300 pessoas e mais de 2 milhões de pessoas estão desabrigadas, de acordo com o ministro chileno do Interior, Edmund Perez Yoma.
Os tremores tiveram intensidade mais forte do que aquele que atingiu o Haiti em janeiro, deixando mais de 300 mil mortos. - “Quero pedir calma.”, disse Michelle Bachelet, ao convocar uma reunião de emergência para discutir as medidas emergências a serem tomadas após o tremor.

Terremoto também em Okinawa

Um forte terremoto atingiu a ilha de Okinawa, no sul do Japão, na manhã de sábado, 27 de fevereiro, horário local, noite de sexta-feira em Brasília, e a Agência Meteorológica do país emitiu um alerta para ondas de até 2 metros, que já foi suspenso. Não há informações de vítimas ou estragos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o tremor, de magnitude 7,3, ocorreu às 5h31m de sábado, 17h31m de Brasília a 84 quilômetros de Naha - a cerca de 1.600 quilômetros de Tóquio.
A Agência Meteorológica do Japão informou que a magnitude do tremor foi de 6,9 e orientou para que residentes perto do litoral buscassem abrigo em regiões mais altas, mas o alerta para tsunami foi suspenso.
Uma autoridade da polícia de Okinawa disse que não há relatos de vítimas ou estragos.
- “Primeiro, houve um forte tremor vertical, e depois de lado. O forte tremor durou cerca de 10 segundos.”, disse a autoridade da cidade de Naha, Seiboku Sueyoshi.
Um representante da refinaria de petróleo Nansei Sekiyu KK disse que as operações na unidade de Nishihara continuaram normalmente após o tremor e que não há relatos de danos às instalações.
A emissora pública NHK informou que as unidades locais do Corpo de Bombeiros não receberam informações de feridos ou estragos em prédios.
Terremotos são frequentes no Japão, uma das áreas mais ativas sismicamente do mundo. O país registra cerca de 20% dos tremores de magnitude acima de 6 que ocorrem em todo o mundo.
Em outubro de 2004, um terremoto de magnitude 6,8 atingiu a região de Niigata, no norte do Japão, causando a morte de 65 pessoas e ferindo outras 3.000 e foi o tremor com o maior número de mortos desde o terremoto de magnitude 7,3 na cidade de Kobe, em 1995, que matou 6.400 pessoas.

- Com Agencias Brasil e Internacionais
- JSO: 28 de janeiro de 2010

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