Por dentro de Nova Friburgo
Os desafios para
o turismo em Nova Friburgo (6)
Algumas razões para
promover a cooperação entre os setores público, privado e da sociedade
civil
*Marcelo Castañeda
Vou chegando à reta final dos artigos
sobre turismo, cuja maior intenção é de se abrir um canal de diálogo
em Nova Friburgo, a ponto de conseguir enxergar o caminho para se formatar
uma estrutura de cluster de turismo local, integrado ou não
com outros municípios, dependendo de como seja interessante ou não
para as empresas que já atuam no segmento de turismo, bem como para
o poder público local e a sociedade civil friburguense, uma estrutura
deste tipo na localidade.
Como considero a questão da cooperação
fundamental para a formação e manutenção de um cluster
de turismo, serão mais dois artigos além deste, para que possa expressar
de forma detalhada as bases de cooperação e, dessa forma, termos já
definidas as variáveis para a execução de um estudo setorial.
Em ambientes complexos, como, por exemplo,
a indústria do turismo, a falta de visão sistêmica definindo macro-objetivos
e novos papéis, positivos e cooperativos, para a comeptição localizada
reduz significativamente as possibilidades de evolução deste organismo
sistêmico.
Na indústria do turismo, a cooperação
já é percebida como uma prática extremamente importante para melhorar
a competitividade do turismo, uma vez que natureza não-material dos
serviços de turismo e a cadeia de inter-relações que se conformam
num produto turístico, vão além dos limites das ações dos seus
agentes.
Como mencionado em artigo anterior,
e imagino que já de conhecimento dos atores sociais do turismo, o valor
que se oferece a qualquer experiência turística é resultado da combinação
de numerosos fatores que mantém relação com a decisão de realizar
uma viagem de turismo, como, por exemplo: transporte ao destino, hospedagem
e experiências de lazer e consumo. Assim é possível perceber que
a qualidade da oferta de serviços para o turista será resultado da
coordenação dos diversos sistemas de produção, procedentes tanto
de setor público, privado e da sociedade civil.
Também é simples perceber que o turista
terá uma experiência de qualidade se os agentes público-privados
e da sociedade civil que participam de um cluster de turismo
trabalharem de forma coordenada com objetivo de oferecer a ele uma experiência
de alto valor agregado pelo menor esforço possível.
A partir de agora, neste final de artigo
e nos dois próximos, estarei expondo uma visão moderna da integração
cooperação-competição, partindo de uma abordagem sistêmica e não-linear,
como elemento fundamental para organismos complexos atingirem seus objetivos.
Vou procurar fundamentar e discutir os papéis da cooperação na criação,
desenvolvimento e manutenção de um cluster de turismo.
Para discutir o tema, proponho a utilização
da ferramenta para análise da lucratividade de uma indústria desenvolvida
por Porter (1990) reconhecida como o modelo das cinco forças, que,
já adaptadas para o turismo, são:
1 - Ameaça de novos destinos turísticos;
2 - Ameaça de alternativas ao turismo;
3 - Poder de negociação dos fornecedores;
4 - Poder de negociação dos clientes;
5 - Rivalidade entre os competidores.
A partir do próximo artigo, mostrarei
como a cooperação ganha importância para fortalecer a posição do
cluster, diante das cinco forças, que determinam a competitividade
de um destino turístico.
Sendo assim, a proposta de cooperação, terá
as seguintes finalidades:
1 - Combater a ameaça de novos destinos
turísticos;
2 - Combater a ameaça das alternativas
ao turismo;
3 - Melhorar a capacidade de negociação
com fornecedores;
4 - Melhorar a capacidade de negociação
com os clientes;
5 - Diminuir o grau de rivalidade no
mesmo cluster.
* Marcelo Castañeda - Cientista Social
- 21 de agosto de 2006
marcastara@yahoo.com.br