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Os desafios para o turismo em Nova Friburgo (7)

Três papéis da cooperação nos clusters de turismo

* Marcelo Castañeda

Nesse artigo, irei me voltar para três papéis inerentes à cooperação nos clusters de turismo referentes ao combate às ameaças de novos destinos turísticos e das alternativas ao turismo, bem como a melhoria da capacidade de negociação com fornecedores.

Cooperar para combater a ameaça de novos destinos turísticos

 A cada ano o número de destinos turísticos aumenta, pois os governos, em seus diferentes níveis, percebem o turismo como uma atividade econômica prioritária. Todos esses novos destinos representam, em maior ou menor escala, a concorrência. A ameaça varia na medida do profissionalismo local e das barreiras existentes para penetrar nos diferentes segmentos de mercado.

Os clusters devem agir em torno do desenvolvimento de barreiras de mercado que dificultem o posicionamento dos concorrentes. Para atingir este fim, a cooperação é fundamental.

A OMT - Organização Mundial do Turismo sugere três formas para combater a ameaça de novos destinos turísticos:

1 - Criar economias de escalas: a partir de grandes infra-estruturas públicas (aeroportos, redes integradas de transportes, etc) e importantes inversões privadas ( hotelaria, parques temáticos, centros comerciais). Um exemplo deste caso é o, já citado em artigo anterior, PRODETUR - Programa de Desenvolvimento do Turismo, que ocorreu no Nordeste do Brasil;

2 - Diferenciar o cluster, fortalecendo a marca: a maioria dos clusters de turismo tem sua própria marca. É o caso, por exemplo, da Costa do Descobrimento na Bahia, dos Caminhos de Santiago na Espanha. A marca constituída e explícita, constitui uma barreira importante para os novos destinos emergentes;

3 - Alianças com operadores e distribuidores de destinos: os clusters dependem ainda dos canais intermediários de distribuição. O relacionamento e compromisso sólido dos destinos turísticos junto aos intermediários representa  uma importante barreira de entrada. É o caso de Cancún, que teve grandes dificuldades em aumentar sua participação no mercado europeu, devido a vinculação dos canais de distribuição com destinos como a Costa Maia e com a Costa Rica.

Desenvolver barreiras de entrada requer, entre outras coisas, capacidade financeira e integração organizacional. Normalmente, o custo para desenvolvimento de infra-estrutura hard e para formação de uma marca fica proibitivo para um grupo único de investidores. Será tanto mais fácil a obtenção do recurso quanto maior o número de outros investidores interessados diretamente na evolução do cluster. A integração organizacional é ainda mais sensível à atividade cooperativa, pois requer a construção de uma rede de entidades com objetivos compartilhados e próximos, o que, infelizmente, não consigo enxergar em Nova Friburgo, tendo ainda sérias dúvidas sobre a sustentabilidade de Nova Friburgo enquanto "destino-produto turístico". Há muito que se questionar e estudar, antes de se tomarem ações reativas e emergenciais que, a cada novo fracasso, mais desestimulam a integração e cooperação entre os atores sociais envolvidos neste processo.

Cooperar para combater a ameaça das alternativas ao turismo

Na medida em que o cluster torna-se mais atrativo, uma maior penetração nos diferentes segmentos de mercado torna-se possível. Assim, a cooperação entre empresas privadas e setor público mostra-se fundamental para desenvolver cada vez mais produtos turísticos locais, que possam, por suas qualidades, promover sensações e sentimentos no consumidor que os motive a optar pelo turismo.

É preciso ter a consciência de que praticamente todas as atividades de lazer e entretenimento concorrem com o turismo, tais como: TV por assinatura, turismo virtual e spa´s locais.

Repetindo mais uma vez: não se formata sozinho um ambiente turístico atraente. Devido a força significativa das alternativas, por serem, normalmente, atividades de menor custo, também com prazeres sensoriais e que requerem menor esforço, torna-se fundamental que a teia de relações no cluster seja inovadora, coesa e direcionada a transformar e manter atraente e valioso todo o ambiente do cluster.

Cooperar para melhorar a capacidade de negociação com fornecedores

Para atendimento às necessidades dos turistas, as empresas precisam de produtos e serviços de um amplo número de fornecedores, tais como: energia elétrica, gás, luz, água, alimentos, sistemas de transportes, telecomunicações, entre outros.

Se não houver nenhum marketing de relacionamento com os fornecedores, estes podem baixar a qualidade dos produtos e serviços, aumentar os preços ou modificar suas políticas de pagamento, afetando diretamente a competitividade das pequenas, médias e até das grandes empresas que operam no cluster de turismo. Por esta razão, é preciso cooperar para melhorar, manter e, se possível, superar a força de negociação dos fornecedores.

Como atividades baseadas na cooperação que podem melhorar a capacidade de negociação com os fornecedores têm-se:

1 - Formar associações que tenham um poder de compra superior com o objetivo de ganhar vantagens através do maior poder econômico e da economia de escala. Por exemplo: formar uma cooperativa para compra das mercadorias dos restaurantes que operam num mesmo cluster de turismo. Outro exemplo: nas sempre dispendiosas atividades de promoção, quando, diante de empresas de marketing, o cluster tem poder de negociação superior ao que se cada empresa desejasse promover de uma forma isolada;

2 - Tornar o cluster de turismo local um cliente importante. Uma forma de fazer isso é desenvolver relações que tornem os fornecedores em parceiros que apóiem e dependam da competitividade do cluster para ser próprio sucesso. Por exemplo, promover o apoio das empresas de telecomunicações no desenvolvimento de infra-estruturas que irão prover serviços de telefonia;

3 - Evitar a dependência de um único fornecedor. Trabalhar com um número reduzido de fornecedores pode promover parcerias altamente qualitativas para ambas as partes, porém criar dependência pode gerar desvantagens comerciais nas negociações.

Mesmo sendo artigos tão genéricos, até hipotéticos, são linhas gerais que cabe aos que estão em Nova Friburgo, avaliar, verificar e chegar às possibilidades concretas que a cidade tem de se tornar ou de integrar uma estrutura que tenha as bases de um cluster. Até.

* Marcelo Castañeda - Cientista Social

- 25 de agosto de 2006

marcastara@yahoo.com.br











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