POR DENTRO DE NOVA FRIBURGO
Marcelo Castañeda
Criminalidade e violência
em Nova Friburgo
A necessidade de
um viés popular no Conselho Comunitário de Segurança ,
e da participação
comunitária
Marcelo Castañeda*
A crescente sensação de insegurança
que paira sobre os moradores de Nova Friburgo coloca um importante desafio
a sociedade local e ao Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).
Trata-se de adotar um viés popular nas ações do Conseg como forma
de tornar participativa, de fato, sua atuação na sociedade e, assim,
viabilizar a participação comunitária.
Antes de iniciar a exposição pretendida
deixo claro os motivos que me levaram a sair da estrutura do Conseg
em maio de 2006. De forma objetiva, o que me levou a optar pelo "distanciamento
crítico" em relação a instituição foram:
1- O caráter elitista da instituição.
- A atitude centralizadora do presidente
da instituição, à época.
3- A falta de perspectiva em realizar
um diagnóstico da criminalidade e violência no município.
4- A falta de assertividade em relação
ao poder público, seja estadual ou municipal.
5 - Feitas as considerações acima,
acredito que ainda não houve uma ruptura com esse padrão.
A necessidade do Conseg ser realmente
"comunitário", e não apenas carregar essa palavra em seu
nome, passa pela importância do diálogo com as comunidades, do entendimento
de suas peculiaridades, através de encontros comunitários, que sejam
promovidos no intuito de ouvir e dar voz as pessoas, que normalmente
não falam, mas sofrem com a violência e a criminalidade. Também que
esses encontros sejam constantes, contínuos, com a participação do
poder público, de forma que tenha-se células comunitárias espalhadas
pelo município.
Um Conselho realmente comunitário
não faz tão poucas reuniões abertas em comunidades como o Conseg
fez em um ano e dois meses. Salvo engano, contei três reuniões realizadas
com essa pretensão. Não estão contabilizadas as tradicionais reuniões
mensais abertas, mas aquelas que foram realizadas fora dessa freqüência.
Escrever simplesmente para criticar
o Conseg não vai levar a lugar melhor do que onde estamos atualmente
em Nova Friburgo, inseguros e sem referências. Não é esse o objetivo
aqui.
Ter saído do Conseg pode ter sido
um erro, e talvez esse artigo sirva como mea culpa, mas, há sempre
a possibilidade de acertar ou, fazendo parte da estrutura, levar a uma
mudança de rumo, de maneira democrática, juntamente com as mais de
trinta instituições integrantes do Conseg, que tanto são apregoadas,
apesar de não aparecerem.
O momento atual, devido a insegurança
e medo que se abate nos relatos de muitos cidadãos nova friburguenses,
é de aproveitar a estrutura existente no Conseg para empreender ações
que sejam realmente percebidas pela população como sendo confiáveis.
Mas, para tal, é necessário trabalho sério, disciplinado e dedicado
daqueles que estão hoje na direção do Conseg e crédito desses aos
que por ventura vierem dar as mãos para buscar formas de construir
uma sociedade mais tranqüila para todos os que aqui vivem.
Entender que violência e criminalidade
não são diminuídas apenas com solicitações de equipamentos de segurança
e pessoal ou ações repressivas, assim como não é no curto prazo,
da noite para o dia, que tudo melhorará.
Se oferecermos perspectivas de pertencimento
àqueles que hoje estão a praticar atos de delinqüência, principalmente
os jovens, bem como procurando ouvir os que têm sabedoria e não a
revelam, a não ser quando perguntados (falo dos populares, aqueles
que estão nas comunidades, anônimos e mudos) podemos chegar a uma
cidade menos insegura e menos violenta. Basta querer.
* Marcelo Castañeda
é Cientista Social
- E-mail: marcastara@gmail.com
-JSO – 08 de junho
de 2007